A notícia da morte de João Moraes me fez refletir, uma vez mais, sobre o ser humano e a sua incapacidade para compreender os desígnios de Deus. Mesmo sem entender sua inesperada travessia, me alegro é no Senhor, porque sei que ele saiu de sua casa terrena e foi morar com o Pai Celestial. Ganhou uma morada nova e morreu apenas para os valores, referências e as dores desta vida.
Na tentativa de ordenar minhas ideias, entre uma linha e outra de um parágrafo confuso e árido como os meus pensamentos de luto e perdido pela morte de um amigo querido, recorro ao mundo magistral da poesia e da canção. Assim, no silêncio que diz muito mais do que qualquer palavra ou argumentação bem elaborada, no dia 8 de julho, quando João Moraes subia aos céus, o poeta imortal do amor e da boemia, Vinícius de Moraes, cantarolava com os anjos uma música inédita, dedicada especialmente ao nosso João do Povo. E em silêncio, nós, que nos sentimos neste momento órfãos, reproduzimos a melodia: “É o amor que te fala/É o amor que se cala/E que despetala /A flor do silêncio”.
João Moraes, aquele que a Bahia lhe deu a régua e o compasso, mas suas ações, sabedoria e conquistas vieram desembocar em Rondonópolis. Essa, que foi a cidade que escolheu para viver, amar e criar descendentes, não apenas filhos e netos de sangue. Sobremaneira, todos aqueles que um dia precisaram de seus cuidados ou recomendações. Deu morada em seu coração para todos, não importando se era em sua casa ou em sua farmácia.
Para João Moraes o que importava era resolver o problema alheio, aliviar as dores do próximo, aconselhar gratuitamente e confortar aos que sofriam e que nele encontrava um porto seguro e uma palavra amiga. Sua existência neste mundo foi pautada pela coragem espiritual e o amparo aos outros que lhe rodeavam. Fez-se um gigante com suas ações.
A dor que teima em ficar comigo faz parte da racionalidade humana e da saudade que sinto por ele. Agora fica mais claro para mim o motivo dele ser chamado João do Povo, % era impressionante o número de pessoas que estava em seu velório e participou da cerimônia de sepultamento. Foi emocionante e mágico presenciar a comoção popular.
Incontestavelmente, a tristeza é imensa, mas, muito mais por nós, por seus familiares e pelo mundo que perde um ser humano iluminado do que pela morte de João Moraes, porque temos a certeza do seu dever cumprido honrosamente. Sua missão aqui, fez valer a pena o tempo vivido.
João do Povo partiu. Sua viagem teve data marcada igual à de outro ilustre brasileiro, o poeta Vinícius de Moraes. Para nós fica a certeza que João Moraes, pioneiro de Rondonópolis, referência nesta cidade de profissionalismo, de verdade e de amor incondicional: “Só fez bem” e que “o (nosso) amor (por ele) seja eterno enquanto durar, pois, o amor verdadeiro nunca morre fica cravado nos corações daqueles que amam e dos que são amados.
À família Moraes, minha homenagem singela, minha saudade eterna deste grande amigo e a certeza da missão bem executada. Um forte abraço João Moraes, daqui, nossas preces por seu merecido descanso.
(*) Edileusa Pena é professora doutora do campus local da UFMT – email: Edileusapena@hotmail.com
É muito bom quando uma pessoa parte e deixa um legado de boas ações, como é o caso do nosso querido “João da Farmacia” como era conhecido pelos pioneiros de nossa cidade. A maioria da população de nossa cidade é extremamente grata a este “pai” da pobreza, pois nunca se preocupou com o dinheiro, mas sim com o bem-estar de todos os que o procuravam, ajudando sempre a qualquer dia e qualquer hora, incasável, amigo, médico, farmacêutico, confidente, conselheiro, pai, mãe, enfim, simplesmente João Moraes. Vai em paz, porque com certeza o seu lugar está reservado ao lado do criador.
De fato… A cidade perdeu um grande amigo, um grande pai… No entanto suas qualidades ficaram cravadas no seio do coração e do espiríto da filha Marcia Moraes… Amiga, solidaria, que estende sua mãos todos que dela precisar…
Assim vemos que as melhores lições de vida foi ensinada por seu pai….
Por isso sei que sua obra terá continuidade… pois a ela ele confiou…seus passos, seus ensinamentos…
Eu não teria palavras para definir a grandeza de um ser humano… Como voce colega Edileusa retratou…mas sei dizer que ele deixou suas marcas de amor e solidariedade… por todos os lugares em que passou.
Sebastiana Braga, prof. da rede Municipal e amiga da mestre Marcia Morais.
Obrigada Marcia por você existir.. Que Deus lhe de sabedoria para esta jornada…
A todos que estiveram conosco nesse momento mais difícil de nossas vidas, um obrigada muito especial. Edileusa retrata um verdadeiro homem, assim como o senhor Eliézio e minha amiga Seba. Jesus o levou por que sabe da importância de meu pai aqui no nosso meio e também da necessidade del junto aos céus. Obrigada a todos!