Chegamos aqui no rastro dos desbravadores e na poeira dos pioneiros. Digo poeira porque, na época da seca, Rondonópolis era uma nuvem de poeira vermelha, e nós estávamos dentro dela.
Aqui, conhecemos os nordestinos, que vieram em animais e até a pé. Depois, fomos apresentados aos descendentes dos goianos, que chegaram em carros de boi. Mais tarde, ficamos amigos de mineiros e paulistas, que abriram fazendas, construíram pontes, fizeram estadas, criaram e multiplicaram o gado, que tocavam a pé até São Paulo.
Vimos chegar os primeiros sulistas, que plantaram arroz e soja nos campos e cerrados, antes improdutivos. E foram incentivados pelo governo a desmatar. Outros subiram para a região Norte do estado e ocuparam a maior área agricultável contínua do planeta. Hoje produzem soja, milho, algodão, cana (açúcar e álcool) e arroz. Também produzem carne bovina, suína e de aves. Tudo com índice de produtividade que preocupa os países concorrentes. Em menor escala, o estado produz leite, queijo, manteiga, mandioca, galinha e porco caipiras e começa a investir na criação de ovinos e caprinos. Também se inicia a piscicultura.
Aqui no Mato Grosso, porém, desperdiça-se manga, caju, goiaba e até acerola. Esperamos que se instalem no estado indústrias de suco e de polpa dessas frutas para aproveitar essa grande quantidade de nutrientes que se perde em todas as safras.
É verdade que, para se chegar a esse nível de produção, desmataram próximo dos rios e dos córregos, às vezes, não respeitaram nem as cabeceiras. Mas, tudo isso pode ser corrigido sem histerismo e sem punições ideológicas.
Felizmente, ainda sobraram áreas de preservação. Agora, com maior conscientização, pode-se implantar sistema integrado de pasto, lavoura e floresta dentro de uma produtividade sustentável. Todos esses desbravadores (homens e mulheres), juntos, fizeram desse estado o celeiro do Brasil.
Mato-grossenses têm muito do que se orgulhar! Desde o trabalho histórico do Marechal Rondon até o alto índice de produtividades das suas terras, pelo maior rebanho bovino do país com alta qualidade genética. Se isso não bastasse para nos encher de orgulho, ainda temos a beleza e o potencial turístico do pantanal.
Os agricultores enfrentam as intempéries da natureza, pragas e doenças, uma legislação extensa e inexequível na área trabalhista e ambientalista. Precisam se defender de organizações não-governamentais, que são pagas por países estrangeiros que temem a nossa produtividade. Enfrentam entraves do governo, fomentados por tecnocratas militantes que não gostam da iniciativa privada.
Mesmo assim, enfrentando esses riscos e desafios, os agricultores e pecuaristas continuam produzindo alimentos com sobra para exportação. Mas, finalmente, são heróis ou vilões? Como resposta, coloco um verso da música de Tião Carreiro e Pardinho “São heróis em medalha”!
(*) Fernando Tenório é médico ortopedista
É abençoada toda essa leva de gente oriunda de praticamente todos os estado da nação para desbravar Mato Grosso. Aqui fincaram firmemente suas raízes e hoje colhem os frutos de sua labuta, permitindo que esse estado, até então esquecido do resto do país, se tornou um dos maiores produtores agropecuário brasileiro, de modo que também exportamos para o mundo, contribuindo para matar a fome de milhões de pessoas. Abençoado Mato Grosso e sua gente, heróis nato. Aqui se trabalha, aqui se produz, aqui se vivi, sempre na busca da dignidade, do respeito e da fé cristã.