A iniciativa de se criar vagas em estacionamentos para deficientes é, sem dúvida, válida e necessária. Nada mais justo do que dar a eles melhores condições de chegar aos lugares. Fora isso, as rampas de acesso também são necessárias e, geralmente, essas vagas ficam próximas a essas rampas.
Em Rondonópolis, existem vários locais já demarcados. Um deles fica na frente da Prefeitura do município. Ao lado da vaga há uma pequena rampa para que a pessoa com deficiência possa ter acesso ao prédio sem muito estresse.
Na última sexta-feira, o repórter fotográfico do A TRIBUNA, Dnei Matos, flagrou o desrespeito em frente ao local. Um cidadão, que aparentemente não tinha qualquer problema físico, simplesmente fez pouco caso da sinalização.
Apesar de existir esses espaços, não há respeito. O cidadão, em muitas vezes, para o seu carro nas vagas destinadas aos deficientes e praticamente ignora as leis. Pois sabem que estacionar nestes locais deve resultar, no máximo, uma multa no trânsito. Não há sentimento de coletividade e sim uma pequena preocupação com uma multa.
Está mais do que na hora de rever esses conceitos. Não é preciso aumentar a multa ou ações mais radicais como a prisão. Mas, é preciso criar no Brasil uma forma de envergonhar as pessoas que fazem isso.
Na Europa, por exemplo, dificilmente um cidadão vai ocupar a vaga de um deficiente. O europeu não está preocupado com a multa que isso pode render e sim com a sua moral. Devido ao grau de educação que adquiriu, ele sente vergonha de cometer esse tipo de infração no trânsito.
É mais ou menos semelhante a questão de jogar lixo nas ruas. Muitos acham normal e fazem isso sem o menor complexo, mesmo sabendo que em uma cidade suja quem no fim paga a conta é o próprio cidadão que jogou o lixo.
Neste momento é preciso que nós passemos a ter essa cultura de olhar enviesado para quem não respeita leis básicas, como o espaço para deficientes. Desta forma, a pessoa passará a ter vergonha do ato.