O jovem e a prática do esporte

O fato da prática de esportes conquistar mais adeptos nos últimos anos trouxe consigo o aumento do número de casos de lesões no joelho, que acomete cada vez mais jovens. No dia-a-dia de consultório verificamos que, atualmente, 90% dos procedimentos cirúrgicos em crianças e adolescentes que realizamos na área de ortopedia acontecem em decorrência de traumas durante as atividades desportivas.

Um levantamento feito recentemente em 11 regiões de São Paulo pela Secretaria de Estado da Saúde e o Celafiscs (entidade especializada em estudos da área de atividade física) indicou que 76,6% dos adolescentes paulistas com idade entre 14 e 18 anos praticam rotineiramente alguma atividade desportiva. A pesquisa indicou que 51,5% deles não recebem qualquer recomendação profissional. Esse índice nos aponta um comportamento preocupante, já que a prática incorreta – sem orientação e preparo adequados -, aliada à exigência por resultados, é um dos principais fatores que contribuem com a ocorrência de lesões.

Um detalhe relevante é que o início da prática de esporte competitivo é iniciado cada vez mais cedo, o que fez com que o número de cirurgias de joelho em pré-adolescentes e adolescentes aumentasse cerca de 30% nos últimos 20 anos. Vale ressaltar que os recursos tecnológicos para o segmento também evoluíram, o que possibilitou a realização de cirurgias em situações anteriormente não recomendadas, aumentando o sucesso nos procedimentos. Hoje, já é comum crianças com idade entre 10 e 11 anos sofrerem lesões nos meniscos e ligamentos dos joelhos e terem que se submeter a cirurgias corretivas.

Vale considerar que a atividade desportiva é sempre recomendável para qualquer idade. Além dos benefícios físicos – melhor disposição, manutenção de peso, controle de colesterol de triglicérides, entre outros, o esporte também contribui para o crescimento e o desenvolvimento psicossocial da criança. Ela aprende a se sociabilizar, por conta dos jogos em equipe e disputa; adquire mais concentração e capacidade intelectual, já que o esporte lhe obriga a pensar rapidamente para decidir jogadas e movimentos; ganha confiança e auto-estima e tende a adotar um estilo de vida mais saudável e que pode contribuir para afastá-la de males como as drogas, por exemplo.

É de suma importância que pais ou responsáveis estimulem a criança e o jovem à prática desportiva. A criança também deve desempenhar uma atividade que lhe agrade, para que o esporte seja um prazer, não um dever. É parte do papel dos pais ajudá-la a encontrar a modalidade com a qual irá se identificar.

A avaliação médica, o acompanhamento por um profissional especializado, o uso de roupas e equipamentos adequados, alongamentos antes e depois da prática do esporte e uma programação de atividades com aumento gradativo da intensidade dos exercícios são alguns detalhes que parecem simples e óbvios. Porém, é por ignorar esses cuidados básicos que ocorre a maioria dos casos de lesão.

Seguindo o “pequeno manual básico” da atividade esportiva que passamos aqui, o risco de lesão diminui sobremaneira. E, como conseqüência, teremos uma geração futura mais ativa e com qualidade de vida.

*Ortopedista, Ari Zekcer é especialista em medicina desportiva e cirurgia de joelho pela EPM – Unifesp, diretor da Zekcer Sports Medicine, coordenador da equipe de ortopedia do Hospital São Luiz (SP), membro efetivo de entidades diversas.

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