“Qualquer pancada na cabeça é traumatismo craniano”

A expressão “traumatismo craniano” apavora, já que é uma das causas mais freqüentes de morte e deficiência física e mental. Mas, como no caso da atriz Giselle Itié, que bateu a cabeça durante os ensaios da “Dança do Gelo”, do “Domingão do Faustão”, o traumatismo craniano pode ser só um susto, sem conseqüências mais graves. Segundo sua assessoria, a batida foi leve, mas inspirou cuidados, de acordo com os boletins divulgados pelos médicos.

“De modo geral, qualquer pancada na cabeça é um traumatismo craniano”, diz o neurocirurgião Guilherme Malacarne, do Hospital Regional Sul e professor da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo. Um “galo”, por exemplo, é um hematoma formado pelo volume de sangue acumulado após o traumatismo.

Nem todos os casos precisam de ajuda médica. “Depende dos sintomas. Se a pessoa perder a consciência, vomitar, não sentir alguma parte do corpo, sofrer alterações na linguagem, é importante procurar um pronto-atendimento”, aconselha Malacarne. Nos casos leves, como uma pancada contra a porta, uma bolsa de gelo pode aliviar.

As seqüelas são, geralmente, proporcionais ao trauma. Ou seja: quanto mais forte for a agressão, maiores serão as chances de complicações. Acidentes que envolvem velocidade, como batidas de carro e quedas de patins e skates, por exemplo, também podem ser graves. “Nestes casos, o cérebro tem a agressão localizada contra ele e, por causa da velocidade, também fica meio que “boiando” no crânio”, explica o neurocirurgião Eduardo Vellutini do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, da capital paulista.

Diretor clínico da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), o ortopedista Antônio Carlos Fernandes diz que a complicação depende da área do cérebro que foi afetada. “Cada área corresponde a uma função, como equilíbrio, movimento, fala, audição, entre outras”, explica.

Na Clínica de Lesão Encefálica da AACD, 36% das crianças tiveram seqüelas após acidentes automobilísticos. Fernandes atribui as pancadas ao uso incorreto ou mesmo à ausência das cadeirinhas de segurança. “Elas poderiam evitar muitas mortes e complicações”, alerta Fernandes. A segunda grande causa de traumatismos cranianos são os atropelamentos, motivo apresentado por cerca de 32% das crianças da AACD. E 23% delas caem de grandes alturas. “Isto é muito comum, especialmente em favelas, porque as crianças costumam brincas nas lajes”, explica o ortopedista.

Importante é, no caso de uma lesão grave, levar o acidentado ao pronto-atendimento o mais rápido possível. “Trinta minutos podem ser decisivos para que a pessoa tenha mais chances de se recuperar do baque”, aconselha Vellutini, do Oswaldo Cruz.

Diferentes graus, diferentes seqüelas

TIPOS - Existem três tipos de traumatismos cranianos, classificados de acordo com o grau de comprometimento do crânio. No fechado, não há ferimentos no crânio ou, quando muito, existe uma fratura linear. Os traumatismos cranianos com fraturas com afundamento caracterizam-se pela presença de fragmento ósseo fraturado afundado, comprimindo e lesando o tecido cerebral adjacente. Nos traumatismos cranianos abertos, com fratura exposta do crânio, ocorre comunicação direta do couro cabeludo com a massa encefálica através de fragmentos ósseos quebrados.

SEQÜELAS - Elas irão depender da área do cérebro afetada. Algumas áreas irão causar problemas na fala, outras, no equilíbrio, na inteligência, no movimento e assim por diante.

CAUSAS - Os acidentes automobilísticos são a principal causa, seguidos pelos atropelamentos e quedas de grandes alturas.

101 comentários

  1. Minha filha ela tem 4 aninhos bateu a cabeça e criou uma água na cabeça é muito perigoso.

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