Rondonópolis completa 92 anos de fundação

Embora hoje a cidade de Rondonópolis prefira posar com ares de “senhora de meia idade”, nós sabemos que no seu registro de nascimento a sua idade é bem outra. O fato é que, apoiada por algumas autoridades e moradores, ela prefere ignorar que em 1953 (data de emancipação) já se constituía em uma menina crescida e sapeca e que, além de brincar de esconde-esconde, já esboçava um ar maroto de quem sabia muito bem o que queria da vida.

[inspic=10151,right,fullscreen,200]EMANCIPAÇÃO E FUNDAÇÃO: Até podemos apoiar a data de emancipação (10 de dezembro) como sendo o dia de aniversário da cidade, porém não podemos ignorar que a história local antecede a 1953.

É bom lembrar que, também existe uma data de fundação de Rondonópolis e que, por sinal, é hoje, 10 de agosto – ocasião em que completa 92 anos. Contudo, a comemoração de uma data não implica em inviabilizar a outra, uma vez que emancipação é uma coisa e fundação é outra bem diferente.

CERTIDÃO DE NASCIMENTO: Rondonópolis tem uma certidão de nascimento. Esta certidão foi expedida em 10 agosto de 1915 pelo doutor Joaquim Augusto da Costa Marques, Presidente do Estado de Mato-Grosso, na “Gazeta Official do Estado de Matto-Grosso”, que registrava em sua página de rosto o Decreto No 395, onde se lê que o Estado reservava  na região descrita “uma área de terras de 2000 hectares para o rocio da povoação do Rio Vermelho”.

Baseado nesse documento, o prefeito Alberto de Carvalho homologou a lei 2777 de 22 de outubro de 1997 que estabelece 10 de agosto como a data de fundação de Rondonópolis. O projeto original é de autoria do vereador Valdir Clemente e foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal.

POVOAÇÃO DO RIO VERMELHO: Era o nome do lugar que, em 1918, foi denominado de Rondonópolis pelo deputado Otávio Pitaluga, com a finalidade de homenagear ao então General Rondon – comandante da comissão que construía as linhas telegráficas no Norte e Centro-Oeste do país e que inauguraria o posto telegráfico em nossa localidade em 1922.

O povoamento e a construção da Povoação do Rio Vermelho acontecem a partir de 1902, com a fixação de famílias procedentes de Goiás, Cuiabá e outras regiões do estado que, aqui, se fixam e passam a conviver pacificamente com os índios bororo presentes às margens do rio Vermelho.

O POVOADO TOMA CORPO: No início do século, na região, havia um vai e vem de aventureiros a procura de diamantes e que, muitas vezes, acabavam optando por se fixar, contribuindo para o aumento demográfico do lugar.

Tanto assim que, em 1915 o povoado já era uma realidade. Nele havia uma rua, uma escola, um farmacêutico prático e um dentista ambulante; tinha aproximadamente setenta famílias, que viviam com certa organização econômica, social e política, além de preocuparem-se com as primeiras letras.

SOLIDARIEDADE: A vida comunitária se tornou a principal regra de sobrevivência para a sociedade do povoado.  A união e a ajuda ao próximo foram elementos decisivos que garantiram a organização e o crescimento do povoado até 1920, tendo em vista a necessidade de superação de inúmeras dificuldades e de garantir a vida dos habitantes.

ECONOMIA DE SUBSISTÊNCIA: Quando as condições do tempo favoreciam a plantação e a colheita, a população local tinha alimento suficiente, com exceção do sal, algum medicamento, azeite ou tecido. No mais, produziam alimentos de primeira necessidade, como o arroz, o feijão, a mandioca, o milho, a carne e algumas verduras; também desenvolviam trabalhos artesanais.

Com exceção de uns três ou quatro fazendeiros, os outros moradores possuíam sítios ao redor do povoado.  Eles apresentavam pequeno poder aquisitivo e o que produziam destinava-se ao consumo, à subsistência.

Os moradores não comercializavam os seus produtos com outras cidades. Só de vez em quando, com a vinda de lanchas de comerciantes é que havia um tipo de mercado de troca local. Sem dúvida, a distância, a falta de estradas e os precários meios de transportes (carros de boi, canoas, mulas) dificultavam a viagem a Cuiabá, que era o centro de comércio mais próximo.

DEPOIMENTO: Dona Nair (nascida em Rondonópolis em 1921, filha do Sr. Jerônimo Lopes Esteves e nora do Sr. José Rodrigues) comenta sobre determinada viagem do líder goiano José Rodrigues e outros homens à capital do Estado (Cuiabá), ocorrida em 1910:  “A viagem foi muito difícil. Eles iam em três carros de boi, com mantimentos e até uma vaca leiteira, porque o José Rodrigues sofria de  ‘mal de engasgo’  e bebia muito leite.  Quando chegaram na região da serra de São Vicente, foi até preciso amarrar o que levavam e, praticamente, em alguns casos,  ‘jogar’ morro abaixo o que carregavam, pois não havia outro jeito.”

Essa descrição demonstra as dificuldades e a luta de toda uma população para sobreviver e também para construir as bases da Povoação do Rio Vermelho, em um tempo distante, quase esquecido pelo tempo.

CONQUISTAS: Por certo o trabalho e os sacrifícios dos homens e mulheres da vila não foram em vão. Eis algumas conquistas:

*Em 1915, conseguiram a nomeação pelo Estado do primeiro professor, o Sr. Odorico Leocádio Rosa;

*Em 1918, obtiveram a conclusão do projeto de Otávio Pitaluga intitulado “Instruções para a Construção do Rio Vermelho”; projeto que incluía a medição, alinhamento, estética, higiene e postura do povoado – tal projeto somente foi executado em 1948, pelo engenheiro Domingos Lima, que edificou o traçado do atual quadrilátero central da cidade de Rondonópolis;

*Em 1919, foi fundado o primeiro cartório de registros civis e houve a nomeação do primeiro Juiz de Paz, o Sr. Benjamin Rondon; e, também a nomeação do primeiro delegado, para cuidar da ordem e da segurança, o Sr. José Rodrigues;

*Em 1920, Rondonópolis, a antiga Povoação do Rio Vermelho, foi promovido à categoria de distrito através da Resolução No 814, projeto de autoria do deputado Otávio Pitaluga. Assim, Rondonópolis passa a ser Distrito de Santo Antônio do Leverger e Comarca de Cuiabá.

O despovoamento de Rondonópolis

Os anos 20 vêm encontrar o novo distrito em condições históricas adversas.  É que Rondonópolis passa a sofrer um processo de despovoamento: sobretudo em virtude de problemas ligados a enchentes, epidemias, desentendimentos entre os moradores e a descoberta de garimpos – realizada por João Arenas Teixeira, na vizinha região de Poxoréo, em 1924.

Tal processo proporciona o crescimento de Poxoréo, que em 1938 é elevado à condição de município; ao mesmo tempo Rondonópolis é inserido à condição de distrito do recém criado município (Decreto-Lei no. 218 de 1938). Somente em 10 de dezembro de 1953 é que Rondonópolis obtém a sua emancipação política, através da Lei no 666.

RONDONÓPOLIS TEM HISTÓRIA: Não há como ignorar os fatos passados ocorridos antes de 1953. Nossos alunos e a população em geral têm o direito e o dever de conhecê-los. A começar pela data de fundação da cidade, que deveria fazer parte do calendário oficial de comemorações do município – só assim a data seria divulgada, festejada e reconhecida; afinal a data é oficial, legítima e marca o início do processo de povoamento local.

1 comentário

  1. Cada dia que se passa esta cidade fica mais maravilhosa, moro em São Paulo mas adoro Rondonópolis. Parabéns!

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *


Compartilhe esta Notícia