Publicado em 07 de junho de 2007   |   Fonte: Patrícia Casali

Um bálsamo para o luto

Uma aula de cultura e um bálsamo para a alma. Depois de dias de tristeza e luto após a tragédia no Jardim das Flores, nossa alma teve momentos de bálsamo que nos tirou da dura realidade para nos apresentar um mundo perfeito: o da música.

A apresentação da Orquestra de Câmara do Estado nos mostrou que neste “mundo cão” a arte tem lugar cativo e é remédio indicado para qualquer tipo de mal, individual ou coletivo, biológico ou emocional. Aliás, é aí que ela funciona bem, no quesito emoção, porque nos apresenta novas possibilidades de sentirmos, nos toca no fundo a alma, por conseguinte toca também o coletivo.

Nada de Bach, Beethoven ou Vivaldi. No palco, montado no Casario, músicas brasileiras, norte-americanas e latinas com um ingrediente genuinamente cuiabano, a viola de cocho. Sim, a viola de cocho, o instrumento do Siriri e do Cururu subiu ao palco e tem lugar ao lado do som tradicionalíssimo do violino, viola e violoncelo, com um diferencial, o toque da cultura do nosso povo. Um pouquinho de Mato Grosso invade o mundo tão lindo, tão complexo e tão perfeito da música. O já conhecido “é bem Mato Grosso rompe mais uma barreira”.

Se é que a obra de arte tem aura, como defende o pensador alemão Walter Benjamin, ela foi mostrada para os rondonopolitanos, que puderam apreciar a técnica precisa dos rondonopolitanos, que puderam apreciar a técnica precisa dos músicos e a emoção provocada pelos acordes em cada nota interpretada. Isto tudo nas músicas do nosso povo. A música cabocla, latina, do povo, o som das nossas vidas tocados pela orquestra revelou uma beleza ímpar.

Foi com certeza, um programa de extremo bom gosto que deve ser repetido não só uma, mas várias vezes no ano. Mas o que é mais importante é chamar o público para que mais pessoas sintam o poder da música, não apenas por estarem presentes no evento, mas por poderem sentir uma das maiores emoções proporcionadas pela audição. É preciso que as pessoas tenham a oportunidade de contemplar o belo, deixar que suas almas viagem no mundo da emoção da arte.

O resultado deste processo é único, por cada um sentir a seu modo o encontro com a música arte, e coletivo, porque todos que estiveram presentes saíram na sexta-feira do Casario com a sensação de estarem mais leves, de terem conhecido um pouco mais não só de música, mas de si mesmos.

(*) Patrícia Casali é jornalista em Rondonópolis

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